segunda-feira, outubro 24, 2005

Discurso de termo de mandato

Exmo Senhor Presidente da Assembleia Municipal
Exmo Senhor Presidente eleito da Câmara Municipal de Aveiro
Exmos demais autarcas eleitos
Exmos autarcas cessantes
Senhores Deputados

Minhas Senhoras e Meus Senhores

O povo de Aveiro votou e os resultados desse momento crucial da nossa democracia ditaram o termo do meu mandato e a eleição de um novo Executivo.

Queria hoje, certamente com o coração entristecido, mas com a consciência tranquila e uma irredimível esperança no futuro de Aveiro, dizer-vos o quanto foram gratificantes estes anos.

Não é este o momento para balanços de obra feita, para inventários de iniciativas e acções efémeras ou de consequências mais perduráveis, para o recordar de tantas emoções colectivas que pudemos partilhar ou para reportar os projectos lançados e em curso.

Nem tão pouco é o caso de recriminar alguém e encontrar bodes expiatórios para culpas próprias ou dissertar sobre as mil e uma explicações que formaram a opção de voto de cada um. Poderia parecer resquício extemporâneo de campanha e sinal de mau perder.

A democracia exerceu-se bem e Aveiro votou. Saúdo o Dr. Élio Maia e cumprimento a coligação vencedora. A mim, resta-me agradecer o fantástico tempo em que vos pude representar. Porque quanto ao mais, ensina o nosso poeta maior: “erros meus, alguma má fortuna” “amor ardente”, que às vezes tolda e nos exalta, mas não absolveu.

Hoje é o primeiro dia de recordações inebriantes de dois mandatos fecundos e este é o momento para protestar alguma gratidão cívica e pessoal.

Queira dizer-vos hoje, o quanta honra constituiu para mim ter sido Presidente da Câmara de Aveiro.

Queria dizer-vos hoje, que tive o privilégio de construir Aveiro com autarcas nas Juntas de Freguesia, excepcionais no seu desvelo, na sua abnegação, no seu obreirismo, na sua preocupação social includente.

Queria dizer-vos que beneficiei do trabalho e profissionalismo de um conjunto de funcionários e colaboradores zelosos e dedicados e que souberam sempre vestir a camisola de Aveiro, e de suar por ela, de serem extraordinários, mesmo sem as ditas horas.

Queria dizer-vos que os frutos bons destes mandatos não teriam sido possíveis sem a colaboração de muitas entidades e organismos do Estado, sem o trabalho inestimável das nossas associações e colectividades sociais, culturais e desportivas, sem uma comunidade estimulante e ambiciosa, sem cidadãos exigentes e intervenientes, de agudo sentido crítico e justa impaciência cívica, desesperando com as pequenas e incómodas ineficiências dos poderes municipais e impondo qualidade acrescida e bom planeamento aos grandes projectos.

Dizer-vos que tudo teria sido mais pobre, se não tivéssemos tido uma oposição tão rica e uma Assembleia Municipal tão participativa.

Queria dizer-vos que tive a oportunidade de conhecer homens e mulheres simples, mas de edificante grandeza humana, gente de rara nobreza de carácter, gente com uma tenacidade para lutar pelos outros interpelante, gente empreendedora e visionária, capaz de nos fazer sonhar e de os sonhos fazer.

Queria dizer-vos que as coisas boas deste mandato – e tantas foram – se devem ao Eduardo Feio, à Lusitana Fonseca, à Marília Martins, ao Domingos Cerqueira e ao Pedro Silva, vereadores com pelouros atribuídos. Aprendi imenso com eles. Aveiro deve-lhes muito. À sua entrega total e a desoras, à sua inteligência e sentido prospectivo, à sua capacidade de gestão e de diplomacia, à sua lealdade e iniciativa, à sua seriedade e sentido de responsabilidade, à clarividência política e ao destemor, a um aveirismo respirado e pulsado com respeito pelo património e pelo nossa nossa identidade mais essencial, mas, também, pela universalidade e pela antecipação do futuro.

E que elas também se ficam a dever aos restantes vereadores, o Dr. Miguel Capão Filipe, o Dr.Joaquim Marques e o Eng. Ângelo Pires que souberam sempre temperar as nossas propostas e decisões com a sua análise crítica e nunca deixaram que a divergência política minasse o respeito, a consideração pessoal e a amizade.

Estes foram anos excepcionais de que me orgulho e que a História avaliará.

Minhas Senhoras e Meus Senhores
Meu caro Élio Maia

Ser autarca hoje em dia é cada vez mais um acto de coragem. Com uma economia persistentemente recessiva, uma voracidade noticiosa que diariamente nos expõe e questiona e uma cultura perigosa de descrença na política e nos políticos e um modismo de especial maledicência do poder local, ser autarca implica a assunção de muitos riscos, renúncias e algum estoicismo para lidar na praça pública, com toda a espécie de tropelias éticas e malfeitorias medíocres e impunes.

Fui autarca sem sentir sacrifício, porque foi uma honra poder servir o interesse público e deixo de ser autarca sem que me pese a consciência, porque nunca da honra abdiquei na sua prossecução.

Nestes tempos de torpor axiológico, de globalização dos problemas e paradigmas, de súbita consciência dos nossos limites ambientais, de perturbadoras novidades na estruturação e no valor do trabalho, de rupturas nas fronteiras da nossa condição humana, que ainda não sabemos se são rombos ou ganhos de humanidade, tudo marcado pelo frenesim prodigioso da ciência e exponenciado e acelerado pelas redes comunicacionais, é reconfortante mantermos alguns valores, alguns amigos, algum espaço vital.

Aveiro é o nosso espaço vital. A política trouxe-nos mais e valiosos amigos. E não nos apartámos dos valores que proclamámos quando tomamos posse. Partimos daqui para o mundo, mas trazemos o mundo de volta, para engrandecermos as nossas gentes e tentarmos ser mais justos e equitativos e exaurirmos menos a natureza. Temos uma responsabilidade ética e um imperativo de solidariedade para com os nossos semelhantes, mesmo se eles são diferentes e sobretudo se eles são menos capazes, mas também temos uma responsabilidade ética para com a vivencialidade da terra que deixamos aos vindouros. Cada vez mais, passa por aí, algures, o sentido do poder público autárquico. E pela educação, chave da compreensão e da inovação, da urgente qualificação, passaporte indispensável para a cidadania. Porque precisamos mais, cada dia que passa, de uma comunidade coesa e justa, de um território e uma economia sustentáveis, de uma cidadania mais exigente.




Minhas Senhoras e Meus Senhores

Na hora da partida permitam-me que evoque um dos nossos oponentes nestas eleições, alguém que, perdendo, já tinha ganho o nosso respeito cívico e a nossa estima: o Dr. António Salavessa que, depois de muitos anos de combate autárquico irrepreensível, não conseguiu ser eleito. Vai fazer-nos falta a sua vigilância cívica activa. E permita-me que saúde, também, todos os vencidos desta disputa e sobretudo aqueles que estavam em funções autárquicas nas Juntas de Freguesia. A todos é devida uma palavra de apreço e de reconhecimento.

Sr. Presidente da Assembleia Municipal cessante
São já lendárias as sessões que vivemos nestes dois mandatos. A sua Presidência obrigou-nos a todos a um esforço acrescido, mas concluo tributando-lhe o mérito de, como ninguém, com a sua ímpar personalidade e argúcia política ter contribuído para dignificar o trabalho do nosso parlamento e a sua consolidação e de, com isso, obrigar o executivo a um melhor desempenho.


Dr. Élio Maia , Sr. Presidente eleito da Câmara Municipal de Aveiro

Quero especialmente cumprimentá-lo neste momento de passagem de testemunho.
Felicito-o pela vitória. E deposito nas suas mãos as chaves da porta da Câmara.
Por esta porta entrei com esperança e por ela saio com orgulho.
Sei que o anima o mesmo espírito e a mesma vontade.
Saiba que fui muito feliz nesta nossa casa.
E que desejo, sinceramente, que aqui encontre a mesma ventura.
Quando tomei posse, há sete anos e dez meses, disse que eram precisos os actos para as palavras fazerem sentido. E feitos os actos, valeu a pena o compromisso.

Fica, então o meu último acto como Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, que é uma palavra para si: em nome de Aveiro, desejo-lhe as maiores felicidades e muito sucesso para o futuro da nossa terra.


Aveiro, Paços do Concelho, 22 de Outubro de 2005

Alberto Souto de Miranda

segunda-feira, outubro 03, 2005

Eirol, Eixo e Sta Joana, Requeixo

No parque da Balsa, o António Vieira promoveu um convívio entre apoiantes. Temos uma equipa capaz de ganhar a freguesia de Eixo pela primeira vez. Horta,Azurva e Eixo, muita gente entusiasmada. Muita expectativa no ar; tudo pode acontecer.Em Eirol, outro Vieira, homem de todo o terreno, que vai reforçar a sua maioria, justissimamente. Em Sta Joana, freguesia difícil para nós, mas gente de combate e de convicções: vamos ter o melhor resultado de sempre! E, em Requeixo, a Deolinda Atanásio pode vir a ser a primeira mulher Presidente da Freguesia. O Sr. Pinheiro, homem bom da terra, inteligente e sábio, fez-me sentir porque é que vale a pena ser autarca e o sentido responsabilizante que tem. Obrigado Sr. Pinheiro.

IPSS

Dedicámos um dia às IPSS de Aveiro. As instituições da Igreja, mas não só, têm feito um trabalho notável, prevenindo e acudindo a situações de fragilidade e ruptura familiar e social e contribuindo para que a nossa rede social seja eficaz e promova uma comunidade inclusiva e realmente humanizante. Da cozinha social das Florinhas, ao Centro Paroquial da Vera Cruz, do Centro Social de Sta Joana ao Centro Social de Nariz, passando por tantos outros, como o Patronato, há exemplos edificantes e de que nos devemos orgulhar. Desculpem lá dizer-vos que os dinheiros públicos foram muito bem empregues. É nestes centros - periferias geográficas e da cidadania - que podemos avaliar o nosso desenvolvimento. É gratificante perceber onde já chegámos. A Câmara tem apoiado a construção e a actividade. Cortar nas despesas correntes e de investimento ? Claro, mas não nestas, que são investimentos na nossa dignidade humana.

domingo, outubro 02, 2005

Dia Mundial da Música

A ideia de colocar moliceiros com os instrumentistas a tocar ao longo dos canais, promovida pela Universidade de Aveiro é execelente, mas pode ser muito melhorada. Há que repensar a hora, a amplificação, a divulgação; mas é uma ideia para fazer um grande caminho. Não vi o Élio.
À noite, espectáculo no Aveirense, marcando o regresso da Filarmonia da Beiras, em concerto com o Coro da Universidade. Duas horas fabulosas e muito exigentes para os músicos. Esqueci-me do Élio. Lembrei-me de um dia, há alguns anos, numa média cidade francesa, ter assistido incrédulo a um concerto soberbo e de ter pensado como gostaria que a minha cidade pudesse ter a capacidade de fazer o mesmo. Estamos lá.
E já agora, tb experimentamos as possibilidades do palco da Fonte Nova com momentos de jazz. Vai tornar-se num espaço magnífico dentro em breve. Não vi o Élio.

Do mercado de Santiago

Ontem começamos com uma visita ao Mercado de Santiago. Muita simpatia e uma ou outra sugestão de melhoramentos a introduzir. O primeiro piso deste mercado terá que ser repensado. Comercialmente ficou sempre aquem das possibilidades.Mas no R/C o mercado é um sucesso. O Sr. Domingos Cerqueira é respeitado e admirado por todos os vendedores, pela forma eficiente e sábia como tem sabido gerir os mercados. Há uma simpatia comercial e há outra mais sentida que se pode traduzir em gestos singelos e silêncios que nos indultam as pequenas coisas não conseguidas. Creio que fomos sinceramente bem recebidos. O Maia, cigano, colega do meu filho no liceu, estava a vender no mercado. O Pai morreu há algum tempo. Todos os amigos da turma foram ao funeral. Combater o abandono escolar: eis uma causa comum. Espero que a vida nunca lhe roube o sorriso franco com que cumprimentou.

PS: Não, não é verdade que a Câmara tenha vendido o mercado ao grupo Sonae, Amorim ou qq outro...De que boato se irão mais lembrar ?

quinta-feira, setembro 29, 2005

Sondagem

A sondagem de hoje é muito animadora. Por mais voltas que se dêem, os resultados apontam para a manutenção da maioria absoluta. E isto, contra uma coligação e contra a novidade Bloco de Esquerda. São excelentes resultados ! Só não percebi - nem ninguém, como é que, de quase dez pontos de vantagem sobre a coligação, daqueles que efectivamente se pronunciaram, se reduz a margem daquela maneira, com base em hipóteses dos que não se pronunciaram... Mas há muitas maneiras de fazer extrapolações. É a segunda sondagem que ganhamos, mas o que importa é ganhar as eleições. O que me interessa agora é trabalhar para esvaziarmos o Bloco e fazermos perceber que o Élio é um vazio. Vamos lutar pelo sexto !

Suspensão de mandato

Estava e estou convencido de que tinhamos uma democracia amadurecida e que todos sabem claramente distinguir o que é campanha eleitoral e o que é o exercício das funções de Presidente de Câmara. Que eu saiba nenhum autarca de Municípios equivalentes suspende as funções. Como é que foi em Viseu ? E na Figueira ? E em Ílhavo ? Mas, ontem, na Assembleia Municipal foram feita alusões à confusão entre as duas vestes. Nunca as confundi. Para que não fique qualquer ambiguidade e para que isso não possa servir de argumento falacioso a ninguém, comuniquei à Assembleia a minha decisão - que já formalizei - de suspender o mandato até ao dia das eleições.

Visita a S. Bernardo

Cumprimentamos muita gente em S.Bernardo. Não notei nenhuma animosidade, bem pelo contrário, uma franca simpatia e palavras de confiança. Cada vez mais penso que é possível ganharmos em S. Bernardo.

Visita à feira dos 28

Encontramos o Salavessa à entrada e não vislumbramos rasto do Élio. Tornou a faltar.
A recepção foi muito calorosa e simpática. As condições do mercado estão agora muito melhores do que há quatro anos. A avaliar pela temperatura dos mercados, vamos tornar a ganhar com maioria absoluta.

Navio de Espelhos

No fim ainda passei pela livraria Navio de Espelhos que promovia um debate sobre a cultura em Aveiro. Parabéns pela iniciativa. Infelizmente já só assisti à parte final, a tempo de ouvir a Susana Esteves defender algumas propostas como sendo grandes novidades, propostas essas que eu próprio já propus há muito tempo. Não me importo que nos copiem...

Apresentação das listas do PS

No Centro de Congressos, ontem, senti que temos equipas muito boas e motivadas. Apesar do Benfica, todos apareceram e o ambiente é de grande entusiasmo, mas, também, de sentido de responsabilidade. Com um coligação à direita e o Bloco à esquerda a vitória requer, de cada um, muito trabalho e empenho.

Programa do Élio

Inacreditavelmente, o Élio Maia tornou a adiar a distribuição do programa em papel e, mesmo a versão colocada na net está incompleta. Adiou pela terceira vez...Mais grave do que revelar a desorganização ou a incapacidade para construir um programa, isto configura já um desrespeito pelos eleitores aveirenses: a dez dias das eleições o candidato Élio não se digna mostrar as suas ideias. Será mesmo que as têm ??

terça-feira, setembro 27, 2005

Inauguração da sede de campanha em S. Bernardo

Vamos ganhar a Freguesia de S. Bernardo ! Temos uma equipa forte, motivada, com experiência de gestão e de mobilização das pessoas, capacidade de decisão e de superação dos problemas, sentido de responsabilidade e de sonhar e muita vontade de ganhar.

Disse-lhes que o Élio foi um bom Presidente de Junta, tal como outros Presidentes foram excelentes. Vamos fazer uma campanha séria. Mas o Élio não é mais o candidato em S. Bernardo. E também lhes disse que o candidato Élio está a ser um bom candidato...Para nós... Amanhã parece que, finalmente, vai ser lançado o programa. Será que é desta ? O Élio já perdeu a primeira parte desta campanha: é muito empobrecedor para a democracia local que a oposição não debata o futuro de Aveiro

inglês nas escolas do 1º ciclo

Por iniciativa da Associação da Comunidade Educativa vamos ter inglês para quase todos os alunos a partir do 3ºano, já este ano lectivo, daqui a uns dias. O Agrupamento de Aveiro também já se tinha organizado. A Câmara garante os transportes. O que é importante sublinhar - para além da medida em si - é o facto de os Agrupamentos e Associações de Pais e Conselhos Executivos terem chamado a si a responsabilidade de organizarem tudo isto, em tempo record. Uma comunidade assim é uma comunidade de que nos podemos orgulhar e que qualifica o nosso sistema de ensino. Fiz, por isso, uma promessa: se o Governo falhar o compromisso do financiamento, a Câmara de Aveiro suportará o custo desta mais valia pedagógica. Vale bem a pena. Parabéns a todos.

Casa do Major Pessoa

Consignámos hoje a recuperação da casa do Major Pessoa, o mais exuberante exemplar de Arte Nova que temos em Aveiro, com os seus azulejos, as ferragens, as madeiras e os vidros, o candeeiro a gaz de cidade...e os vidros. Gostamos de dizer que somos a capital da Arte Nova em Portugal, mas devemos relativizar a nossa importância no contexto europeu: temos um núcleo pequeno, tardio e não muito rico. É o nosso e vai servir como centro difusor deste estilo para toda a região e recriar o ambiente e a decoração da época.Vão aparecer as loiças, os móveis, os artefactos e tudo o mais.Não tenho a certeza que regressem as mulheres elegantérrimas, fatais, obviamente parisienses, com o fumo da boquilha a turvar-nos. O jardim posterior vai garantir a ligação com a praça do peixe. A obra vai demorar 12 meses e custar cerca de 700 mil Euros. O Arquitecto Sarabando foi o autor do projecto, que teve a aprovação do IPPAR. Ficha de Preservação do património. Mais um objectivo a cumprir-se.

domingo, setembro 25, 2005

Meia-milha dos canais urbanos

Pois é. Foi um sucesso. Os vinte e tal nadadores que mergulharam - e que poderiam ter sido muito mais se a confirmação tivesse sido antecipada - nadaram contra o cepticismo,a incredulidade e a maldade de alguns. Para o ano vão ser três vezes mais e vão ser milhares nas margens. O mais difícil está feito. Vi muita gente emocionada, não apenas com as memórias do passado, mas também com a exaltação do presente. O Atita não faltou. A Associação de Natação, o Sporting, o Beira-Mar e o Galitos também não. A população aderiu com entusiasmo. A canoagem, os táxis marítimos e os Bombeiros Novos garantiram o apoio. Tudo pode ainda ser melhorado para o ano. Inclusive a qualidade da água. Mas esta meta já ninguém a tira a Aveiro: qualidade de água balnear nos seus canais. Parabéns a todos.

Cecília Sacramento

Uma grande senhora deixou-nos. Mas deixou-nos a sua coragem, o destemor da vida , a mulher de ideais, a perseverança, o sacrifício, a inteligência, a professora, a classe, a beleza, a serenidade, a simpatia, um interior cheio de vida, uma escrita cheia de nós. Aveiro não a vai esquecer.

Desfolhada em Eixo

O Grupo Folclórico do Baixo Vouga organizou uma reconstituição da desfolhada no largo da Capela da Sra da Graça.Foi uma noite bem divertida. O rigor da reconstituição é de saudar. Ainda me lembro de brincar com uns malhos na eira e de comer broa com chouriço no campo. As espigas douradas foram saíndo e pareceu-me que o vereador Pedro Silva se aproveitou do facto para dar uma rodada de beijos suplementar. O milho foi escapelado, malhado, moído pelo Sr. Zé Moleiro, ali defronte do largo, e a farinha entregue à mulher que cozia a broa no local. Ainda vieram umas filhózes e o vinho não era mau. Seguiu-se o bailarico, em roda, muito participado. Parabéns ao Grupo. Transmitir bem saberes antigos é sabedoria promissora.

Prémios de Arquitectura

A Câmara Municipal de Aveiro atribuiu pela primeira vez prémios de arquitectura, distinguindo casos singulares de qualidade construídos recentemente.A Universidade açambarcou alguns, como seria de esperar: Gonçalo Byrne e o edifício da Reitoria, os irmãos Mateus e o edifício da nova Cantina, Vítor Figueiredo e o Centro Pedagógico. Mas, além disso, a Câmara premiou também edifícios privados - a recuperação de uma moradia na Rua do Carmo (Arq.Mário Celso de Albuquerque) e um conjunto habitacional nas Azenhas de Baixo (Arq.Ricardo Vieira de Melo)- não esquecendo os respectivos promotores privados.Algumas obras camarárias foram lembradas pelo júri: A Capitania, do Arq. Silva Dias, o Teatro Aveirense, do Arq.João Carreira, o novo Parque de Feiras, cujo autor agora me escapa e o novo Estádio, do Arq.Tomás Taveira.
Boa arquitectura é sintoma de boa cultura. Aveiro tem de continuar a conseguir criar oportunidades de arquitectura marcante. Poder público, promotores privados e públicos, profissionais e o sentido crítico de todos podem concorrer para uma cidade não apenas mais bonita e funcional, mas que saiba reter na sua geração o virtuosismo daqueles que sabem interpretar os sinais dos tempos, aplicar as técnicas e os materiais disponíveis, transmitir com personalidade os valores e as linguagens artísticas, o sentir do enquadramento, as rupturas criativas, o respeito pela memória, aproveitar o ensejo de construir mais cidade e não apenas mais edifícios. Compreender e exigir boa arquitectura é sinal de cidadania mais informada.

Corêto do Parque

Assinalámos o restauro do coreto do parque com um concerto pela Banda Amizade. Sabe melhor recuperar o património, quando, como neste caso, se percebe a utilização que ele pode ter. Só a respeito pela memória já seria importante.Mas a qualidade do concerto dos jovens da Banda Amizade dá mais sentido à recuperação efectuada. A sonoridade de coreto está magnífica e a Banda está a tocar cada vez melhor e peças mais difíceis. Parabéns ao Maestro Carlos Marques pelos excelentes arranjos.

Assembleia Municipal

Uma vez mais o Élio faltou à Assembleia.
A sessão ficou marcada pela despedida de todos aqueles que não integram as listas em lugares elegíveis. Há deputados que vão fazer falta: o António Salavessa, por exemplo. E há três mulheres que a Assembleia também vai recordar: a Clara Ribeiro,a Dra Maria Antónia Pinho e Melo e Dra Virgínia Veiga.
De resto, é muito triste perceber que o Parlamento local serve, às vezes, para defender interesses privados a coberto da defesa do interesse público.
Ontem não chegámos a concluir o período de antes da ordem do dia...

sábado, setembro 24, 2005

Meia-milha dos canais urbanos

As análises efectuadas pela delegação de Saúde confirmaram a qualidade balnear das águas e o Dr. Vieira da Silva veio dizer que não coloca objecções à realização da prova. É uma grande vitória para Aveiro! Os nossos canais deixaram de ser um mau cartão de visita para poderem ser um orgulho de todos . Esperamos agora que todos participem, quer a nadar, quer a apoiar .Domingo, às 11h, no Rossio e até ao lago da Fonte Nova, para todos os cépticos acreditarem que o impossível pode acontecer...

Jantar debate entre os candidatos no Lions

Gostei muito do candidato Élio Maia e do candidato Vaz da Silva: não têm nenhuma ideia própria para Aveiro…. O Salavessa já conhecia. O Salavessa é contra as empresas municipais, o Vaz da Silva também. Os três são contra o estádio. Ficámos a saber que nenhum deles teria sido capaz de construir o Estádio e que nenhum deles sabe como o gerir. Não ficamos a saber muito mais sobre quase nada . O Élio não é contra nada, nem por nada, antes pelo contrário. Quando é que irá aparecer o programa ? Depois das eleições ?

Segundo teste do táxis marítimos

Foi um êxito o segundo teste dos táxis. O primeiro ensaio tinha evidenciado problemas na estabilidade e na sua capacidade de manobra. O motor eléctrico não tinha suficiente potência e o leme não tinha suficiente envergadura. . Mestre Alberto – o dos estaleiros - corrigiu e o barco: navega agora com toda a facilidade. Falta agora o reforço do motor e pequenas afinações na decoração. Está talvez tb com excesso de carga, com dois lugares a mais. Vai ficar óptimo.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Novos cartazes

Olhem em volta: há novos cartazes da nossa candidatura. Obra feita. Mais Futuro, Melhor Aveiro.E reparem na magnífica equipa que temos.Vêm aí mais surpresas...

Terreno para o novo Pavilhão do Esgueira

Ontem apertei a mão a dois homens e posso dizer que o Esgueira vai ter um terreno para o novo Pavilhão. Mas o que queria agora relevar é a confiança que, para alguns homens honrados, ainda vale um aperto de mão. A partir de hoje é seu, pode ocupar, disse o meu interlocutor. É gratificante verificar como as pessoas confiam assim em nós. É um desespero pensar em toda a papelada e procedimentos por que ainda vamos ter de passar para formalizar um compromisso de honra. Propiciar um terreno para o novo Pavilhão do Esgueira é mais um compromisso que se cumpre.E o Esgueira bem merece.

Conclusão da rede de saneamento em Aveiro

Hoje assinalámos a extensão da rede de saneamento a Oliveirinha, última freguesia do Concelho a entrar em obras. Com esta empreitada (50km de redes, 3.3 milhões de Euros)Aveiro vai servir 98,5 % da população ! É uma taxa igual às melhores europeias. Faltam, agora, pequenas bolsas nas Agras e em S.Bento para atingirmos os 100%.Quando cheguei à Câmara tinhamos 150 km de rede. Agora, temos mais de 300. Aveiro está de parabéns. Fomos, depois, às Quintãs comer um soberbo arroz de molho negro e um galo assado de pica no chão, com só mãos prodigiosas sabem temperar. A entrevista à Teresa, na Terra Nova até foi mais inspirada...

Apresentação do programa do Élio

Fui informado de que, uma vez mais, foi adiada a apresentação do programa do Élio Maia. O caso começa a ser politicamente relevante. Agora anuncia-se para o dia 27...Ou grassa o deserto de ideias, ou impera a desorganização, ou não há entendimento na coligação. Todas as hipóteses são más (perdão, boas). O Élio ou não tem mesmo ideias,ou não é suficientemente organizado para as divulgar atempadamente ou pura e simplesmente desrespeita os aveirenses e vai disputar eleições sem sabermos o que ele propõe. Será possível que ele se submeta a sufrágio distribuindo o programa apenas durante a campanha, quando ele sabe que já não é lido e discutido por ninguém ??

quarta-feira, setembro 21, 2005

"Do tempo da terra"

Apresentação do livro

Quis publicar este livro porque há um tempo que não regressa e uma terra que o foi escrevendo. E porque alguns de vós tiveram a generosidade de me incentivar a fazê-lo, garantindo-me que este testemunho cívico e político, não era apenas panfletário e que, com a mudança de uma ou outra vírgula, valia a pena levar à impressão. Muitos dos aqui presentes acompanharam a feitura dos capítulos e foram cúmplices deles, causa e estímulo, razão e destinatário. Eu limitei-me a dedilhar o computador e a dizer, num sentir que foi o meu, eventos que foram de todos. Agradeço-vos pois o percurso partilhado. E já agora agradeço-vos que comprem o livrinho...O livro até está barato para palavras que me dizem que são caras...São 300 páginas de exposição pública que se arriscam à crítica e à memória, como escriba e como Presidente de Câmara. Espero a indulgência dos literatos e o vosso veredicto de cidadania.

Desculpem-me a pequena vaidade, esta pretensão de nos libertarmos dos efémeros traços da memória; e perdoem as prosas mais desensaibidas, que ficaram aquém do que o vosso aveirismo merecia, à conta de muitos despachos e de inevitáveis papeladas e burocracias mesmo digitalizadas, que tolhem o espírito e nos deixam com malarte. Talvez , ainda assim, seja útil. E aqui, entre amigos, pode dizer-se que estou mais maduro: os filhos já os fiz e estão estupendos; as árvores, o Eduardo Feio tem vindo a plantar...Só falta agora que os livros esgotem as tiragens...E muito para realizar, claro!

O livro reúne um conjunto de textos que foram sendo escritos entre 1998 e 2005. e recordam momentos marcantes da vida autárquica: a recuperação dos Paços do Concelho, do Teatro Aveirense e da antiga Capitania e, de algum modo, através delas, a restituição de uma dignidade perdida ; a construção de sedes de Juntas de Freguesia e de escolas, a afirmação da nossa democracia local e a aposta em mudar aquilo que faz mudar, como diria o poeta; a inauguração do novo Estádio Municipal, no quadro do Euro 2004 e a afirmação e competitividade de Aveiro na Região; a atribuição a Aveiro da Ordem da Liberdade; as Conferências do Milénio; as comemorações do 10 de Junho em Aveiro e a celebração dos 500 anos da descoberta do Brasil e a celebração da liberdade, da cultura e da História; o lançamento do Programa Nacional para a Sociedade da Informação e o repto das novas tecnologias na conformação das nossas vidas; o Pólis de Aveiro e a requalificação do nosso paradigma urbano; a evocação dos 30 anos do 25 de Abril; a homenagem a personalidades como David Cristo, Frederico de Moura, Costa e Melo, Vasco Branco e os agraciados por ocasião das sessões solenes do Dia do Município; a conquista da Taça de Portugal pelo S.C. Beira-Mar, enfim, intervenções públicas sobre projectos estratégicos. Uns poucos reportam-se a contexto mais político-partidário.

“Do tempo da terra” constitui por isso um singelo testemunho da nossa História recente e um balanço de cidadania que pareceu oportuno editar, contra a evanescência de certa memória política e em compromisso de valores e atitudes para o futuro. Não se trata de uma recolha exaustiva de discursos, nem de um inventário de obra feita. Optou-se por deixar na sombra as prosas mais ferinas e guerreiras, que, em defesa da honra e, ou, da verdade, de quando em quando, vieram a terreiro; aquelas que relevam da defesa dos interesses de Aveiro, mas muito circunscritas e ainda sem distanciamento histórico; as polémicas pessoalizadas, que também significou imperativo ético travar, mas, cuja publicação, agora, poderia ser vista como gratuito e descontextualizado ataque aos visados . O tempo se encarregará de lhes permitir uma leitura mais objectiva. Quanto à obra já conseguida, ela está bem à vista e exposta ao julgamento cívico e este livro seria mera retórica se não se sentisse à vontade nos actos e nos feitos.

“Do tempo da terra” atreve-se porque estes foram tempos fecundos para a terra e tempos em que se procurou construir o futuro dela e das suas gentes. Passaram por aqui a magistratura superior de Jorge Sampaio, vários Governos - de António Guterres a José Sócrates, de Durão Barroso a Santana Lopes -, muitos sucessos e muitas adversidades, transformações profundas de políticas, de padrões civilizacionais e de cultura, com que todos nós tivemos de lidar. Mas esta terra sempre soube ser de todas as terras, tolerante e hospitaleira, rasgar as fronteiras do espírito para novas referências e entendimentos e sempre soube agarrar o tempo que aí vem, sem descurar a identidade que o tempo lhe foi construindo. Com agudo sentido de cidadania, que eleva a nossa vida autárquica, e com demandas acrescidas de bem-estar material e imaterial.

Os textos vão, também por isso, apresentados em ordem cronológica, permitindo acompanhar o percurso cívico que é tributário de muitos aveirenses, homens virtuosos ou simples, mas todos comprometidos com o devir da terra. Este livro espera que eles se possam sentir autores destes tempos auspiciosos. Mas há alguém que é co-autor mais directo: o Eduardo Feio é “culpado” de todas as coisas boas que subjazem a estas prosas.
E a todos os vereadores e ex-vereadores que comigo têm integrado os executivos municipais eu queria igualmente deixar uma palavra de reconhecimento pelas páginas que ajudaram a escrever.

Este livro parecia uma coisa fácil de fazer, uma rápida compilação. Qual quê. Ele não teria sido possível, sem o contributo de alguns colaboradores que, desinteressadamente recolheram e trataram os textos, sem uma triagem e releitura criteriosa e sem a ajuda e a proficiência decisiva do Jaime Borges, que arcou com inúmeras diligências. A todo agradeço.

Ao Juíz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, João Pires da Rosa, magistrado brilhante e aveirense de mérito como poucos, que muito me honrou com a disponibilidade para escrever o prefácio e mais me distinguiu com o que nele elegante e generosamente deixou, e ao Gaspar Albino, outro aveirista notável, que aceitou o ónus desta apresentação e me dispensou palavras tão tocantes, eu queria expressar toda a minha gratidão, a mais funda. E a meus pais, sem mais.

Este livro não teria sido possível sem as muitas horas que a Mabília conseguiu acrescentar aos seus dias, para rever todos os textos, e sem os muitos dias que me tem ajudado a inventar. E, em nome da terra, foi também um tempo surripiado aos meus filhos, Mariana, Afonso e Leonor. Talvez um dia percebam, aqui, essas horas sem retorno.

Aveiro, 19 de Setembrode 2005
Alberto Souto de Miranda

Vaz da Silva e Bloco

Hoje apertei a mão ao Vaz da Silva. Síndroma Carrilho...Explicou-me que nunca o Bloco quis por em causa a honorabilidade das pessoas. Era muito bom, então, que o dissessem publicamente. Porque o que publicamente passou das declarações que proferiram foi exactamente o contrário. Está tudo publicado. E guardado. Não vale a pena fazer de conta que não disseram o que disseram. Talvez depois de explicarem que foram muito infelizes nas palavras, também venham a reconhecer que continuam a deturpar os factos...Como ainda ontem tornou a aparecer no Diário de Aveiro...

Meia milha nos canais urbanos

Eu sei que parece uma loucura. Mas, como devem calcular, a Câmara não iria propor tal coisa, irresponsavelmente. Parecia algo de impossível, mas foi essa a dimensão do desafio que propus aos meus serviços: garantir qualidade de água balnear nos canais urbanos! Não para tomar banho todos os dias, mas como marca e resultado de uma trabalho continuado de recuperação ambiental. E, na verdade, ao longo de muitos meses fomos despistando e neutralizando as descargas clandestinas. E fomos monitorizando a qualidade das águas. Agora, com a conclusão da estação elevatória das Barrocas, alcançámos a meta. Os resultados indicam valores inferiores aos máximos admitidos por lei. É claro que nestas coisas há sempre cépticos, maldosos ou apenas incrédulos. Convém por isso esclarecer. Além dos valores máximos admitidos tb há os valores recomendados, mas que não são impeditivos. Ou seja, a exemplo de muitas praias fluviais e marítimas - nem todas apresentam os valores recomendados, mas, como estão dentro dos valores máximos admitidos, não há razões para que as autoridades de saúde proibam os banhos. Ainda assim, no percurso que escolhemos, os indíces são os melhores e a monitorização da qualidade vai continuar.Lembrem-se que a água dos canais é renovada duas vezes por dia e que a prova vai ser com maré cheia. Lembrem-se, sobretudo, que se trata de uma prova simbólica, orgulhem-se da mais valia ambiental que foi conseguida e pensem que podemos ter em Aveiro a única prova náutica disputada em meio urbano - o que é a todos os títulos notável e constituir mais uma bandeira turística e ambiental. Querem que peça desculpa por ter consguido acabar com a putrefacta imagem de marca de Aveiro ? A prova é uma festa. Mas é claro que não a faremos se, por qualquer motivo tecnicamente fundamentado, a delegação de Saúde concluísse que os valores não estavam dentro do que é permitido por lei. Não há nenhuma divergência. Um referiu-se aos valores recomendados, eu referi-me aos vlores admitidos por lei. Mas a lei não estabelece limites admissíveis que ponham em risco a saúde...Eu também aprendi a nadar no poço de Santiago e atravessei a nado entre a Costa Nova e a Gafanha, quando todo os esgotos eram despejados para a Ria. Não ficamos intoxicados, nem com doenças de pele. Ainda bem que já não é assim. Mas não matemos o sucesso da Ria que é o sucesso dos homens. Orgulhem-se por termos conseguido o impossível.

"Do tempo da terra"

Ontem foi o lançamento do meu livro "do tempo da terra". Muitos amigos apareceram e ouvi palavras tocantes do Gaspar Albino, que fez uma apresentação notável. O Juíz Conselheiro Pires da Rosa escreveu um prefácio lindíssimo. Quem ouviu as palavras generosas que eu ouvi ontem fica a gostar mais da vida e acabrunhado perante o virtuosismo deles em chaga. Amanhã ponho aqui a nota de apresentação. Comprem, comprem, antes que esgote...

sábado, setembro 17, 2005

Taxi marítimo e Jardim de Infância de Eixo

Taxi marítimo e Jardim de Infância de Eixo
Hoje efectuei o primeiro teste de "mar" com o protótipo de "taxi da ria", um projecto que vai fazer Aveiro mais singular e criar uma nova vivência urbana: a mobilidade utilitária e turística nos nossos canais. O barco está muito bonito, estável e vai ser um sucesso. Tem capacidade para seis/sete pessoas e é amarelo, cor universal dos Táxis e do nosso Beira-Mar. O motor é eléctrico para não poluir, mas o teste mostrou que a potência tem de ser melhorada. Igualmente o leme e o tablier precisam de afinação. A manobra ainda não pode ser feita em condições. Vai ser um sucesso quando tivermos toda a frota a circular nos canais.

Hoje inauguramos também o Jardim de Infância de EIXO. Está junto à C+S de Eixo e concretiza-se assim um modelo de centro escolar integrado que pode servir de matriz para o futuro: fazer beneficiar todos os ciclos das valências e equipamentos que podem ser comuns (ginásios, refeitórios, expressão dramática, computadores, etc.) .E está lindíssimo. Isto de ser mãe inspira as arquitectas, não é Catarina ? Parabéns a todos os que trabalharam no projecto.

Vaz da Silva e Bloco

O comunicado do Vaz da Silva tenta branquear o discurso gratuitamente calunioso que proferiram. Mas não vale a pena vestir agora a pele do cordeiro. O bloco tem razão numa coisa: a minha reacção não abordou o fundo da questão. É verdade. A minha reacção centrou-se nas declarações ignóbeis do Dr. Louçã e na graçola da Dra Paula Barros. Porque grassa para aí uma supina teoria de que as pessoas que desempenham cargos políticos, são obrigadas, só por isso, a encaixar as ofensas, as difamações e as calúnias. Comigo não contem para esse abastardamento da política. Estou na política, mas não perdi o sentido de verdade, de honra e de dignidade. Quem quiser entrar por esse caminho da baixeza moral, não deve pensar que fica impune, à custa da demora dos processos crime nos tribunais. O Presidente da Câmara nunca se deve calar perante atitudes ou palavras infamantes e despropositadas. Estaria a consentir na infâmia e a degradar a cidadania. Para mim, a virulência verbal, quando é em defesa da honra, é sempre um dever e um imperativo de consciência. Fica bem dizer que carreguei nas tintas. Mas eu gostava muito de ver algumas pessoas que agora vitimizam o bloco, a sentirem na pele, o que o bloco nos fez. Talvez pregassem menos condescendência com caluniadores e me cumprimentassem por não ter sido suficientemente duro...

Quanto aos factos relativos à construção do estádio, lamento informar o bloco, que os meus números estão certos e os do Tribunal de Contas estão errados...É a vida! O Tribunal de Contas também se engana; neste caso, porque somou na conta final, um arruamento que não tinha sido executado.... E o Tribunal sabe isso: logo na altura reclamámos, mas, claro, não foi publicada nenhuma corrigenda. O grave nem é isso; é que o Bloco só se lembrou de ir ver qual era a história dos seis milhões depois de ter levianamente insinuado que eles foram parar aos bolsos errados....Não tentem mais, por favor, justificar o injustificável e desviar a atenção da vileza política que cometeram. No bloco há gente de boa fé e intelectualmente honesta; vamos ver se pedem desculpa ou se preferem fazer de conta que não se aperceberam da auto-desqualificação moral em que o bloco caiu.

Também estive a ver o Vosso programa e a alegada solução para que nos remetem sobre o estádio: não está lá nenhuma...É patético...Afinal, para é que concorrem em Aveiro se não têm uma única ideia, nem sobre estratégias, nem sobre coisas concretas ? Só para aparecerem na comunicação social pelas más razões ? Um desapontamento total este bloco...

sexta-feira, setembro 16, 2005

Notas pessoais

Concerto da Marisa fenomenal. Quem perdeu, perdeu uma voz arrancada aos ventrículos, Às memórias de ritmos africanos, à genuinidade dos bairros lisboetas, à allure da vedeta, à respiração dos ritmos, à sabedoria da sua modulação, à mestria da alternância entre os agudos e gritados e os sussuros quase não cantados, à contenção do corpo, ao sofrimento do corpo, uma voz que é um espasmo e uma entrega, música que lhe sai da pele, que nos entra pelos poros e nos sobe ao cérebro e nos faz mergulhar no mais profundo de nós mesmos, onde a cultura nos molda e faz sentir uma identidade. Esta tipa é fadista, cria e recria o fado. E muda o nosso por isso. "Transparente" é o album. Transparente é o virtuosimo. Marisa de mar.

PS1 Meu caro João Oliveira, Obrigado pela explicação sobre a desnecessidade dos Post Sriptum nos blogs. Já agora explique-me outra coisa: são proibidos ? Ou será que podem fazer sentido ?
PS2 O Centro Social de Esgueira inaugurou mais uma fase das novas instalações. Há betão que vale a pena. São 400 crianças que passam por ali. Parabéns a todos os que a têm tornado possível.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Meu Caro Joao Martins

Vamos lá ver quem é que tem baixo nível:

1- Gostava que viessem insinuar que tem um "amigo colorido" ?

2- Gostava que afirmassem - deturpando grosseiramente a verdade - que houve uma derrapagem de seis milhões de contos e que o dinheiro gasto a mais foi parar aos bolsos errados ? Não acha que isso é insinuar que os responsáveis autárquicos são corruptos ?
3- Não acha que ao afirmar em Aveiro, em frente ao Estádio, como o Bloco afirmou, que "aqueles que recebem cheques sabem que são postos em causas pelas candidaturas do BE", o bloco está a insinuar que fomos nós que recebemos os tais cheques ? Não acha que isso é altamente ofensivo e calunioso ? Gostava que o dissessem de si ou do seu pai ? Não acha mesmo que isto é ignóbil ?

4- Não acha que o bloco tinha a obrigação de conhecer minimamente os dossiers antes de se pronunciar ?

5- Não vale a pena tentarem vitimizarem-se agora. O que fizeram foi uma vergonha para os valores que dizem defender.

6- Quanto aquilo que deviam ter estudado antes de falarem, eu não manipulo números, mas há quem os queira baralhar. Não insista. Os números que eu referi são rigorosos. Os que o Élio referiu andam próximo, porque incluem tb acessibilidades. Eu nunca disse o contrário. Quem disse asneira foram voçês ao comparar o que não podia ser comparado: o custo abstracto sugerido pela UEFA (200contos /30 mil lugares) com o custo final de uma empreitada que praticamente não teve desvios.

Reflictam e peçam desculpa aos aveirenses.

Alberto Souto

Notas pessoais

Este mundo da blogoesfera é um mundo bizarro: tem momentos bonitos de alguns espíritos que vale a pena partilhar . Tem outros mais do tipo vómito e diarreico, em que a mais ignóbil cobardia tudo conspurca. A começar pela honestidade intelectual. Há tipos a escrever nos blogs com a mesma coragem que escrevem nas paredes das casas de banho públicas.

Mudando de registo: hoje o meu filho Afonso fez 17 anos. Não vimos o Benfica a ganhar, mas consegui jantar com ele e beber uma taça de champagne...Espero que ele consiga sempre perceber que alguma sordidez que anda na política, não faz toda a política sórdida.

PS1 : Não consegui ouvir o Élio na rádio. Parece que ninguém se lembrou de o ouvir. Para quando é que ele estará a guardar as ideias ? Ou será que se confirma que não tem ?

PS2: O estágio de Dança no Teatro Aveirense foi um sucesso, com lotação esgotada. E a vinda do Paulo Ribeiro (último Director do Ballet Gulbenkian) vai ser excelente para a consolidação do Teatro Aveirense no panorama da cultura nacional.

PS 3: Inauguramos a nova Escola Profissional de Aveiro. Foi um processo doloroso, mas está óptima e é fundamental para a qualificação dos nossos jovens . O auditório recebeu o nome de Vítor Matos, como é de justiça.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Respondendo ao Bloco de Esquerda

Li, estupefacto, as declarações proferidas pelos representantes do Bloco de Esquerda, no arranque da sua campanha, junto ao novo Estádio Municipal.

Lamento que o Bloco tenha optado pela gravíssima insinuação caluniosa, pela grosseira deturpação dos factos e pela falsidade política e factual mais gritante e irresponsável, como forma de se auto-promoverem à custa do trabalho dos outros e à míngua de ideias construtivas próprias.

Recordo que a construção do estádio não teve nenhuma “derrapagem” financeira na sua construção; pelo contrário, foi mesmo um caso nacional exemplar de boa gestão e controlo de custos: foi adjudicada por 43.323.439,53 € e foi concluída por 44.514.999,96 €., o que dá uma percentagem de trabalhos a mais final, de 2,7%, notável numa obra daquela complexidade.

Lamento, uma vez mais, que o Bloco de Esquerda tenha actuado, em Aveiro, como “bandalho” da opinião pública, aviltando a dignidade e a seriedade do discurso político, “esquecendo-se de tudo” menos de denegrir e de caluniar, não se eximindo de insinuações atentatórias da honra das pessoas e das instituições.

O Bloco de Esquerda tinha obrigação de conhecer todos os factos relacionados com a construção do estádio. Ou os deturpou por irresponsabilidade ou os deturpou por vileza ética indesculpável. As duas hipóteses transformam o Bloco de Esquerda em Aveiro em fala-barato e praguejador da democracia e sabotador da transparência que tanto apregoa.

Não sei se a Paula Barros tem um “amigo colorido”, não sei se o Vaz da Silva ainda tem um pingo de vergonha, sei que o Francisco Louçã, ao afirmar o que afirmou, se mostrou aos aveirenses como um charlatão da política - que fala do que não sabe - e como um político eticamente desossado, que não se coíbe de tentar conspurcar o bom nome e a honra de pessoas e de entidades que não conhece. Em política não vale tudo, caro Louçã. Em Aveiro vamos ver quanto vale a calúnia.

terça-feira, setembro 13, 2005

A minha entrevista no Público

Aveiro encerrou o ciclo das grandes construções

O socialista Alberto Souto promete dar prioridade à cultura e à educação se vier a ser reeleito como presidente da Câmara de Aveiro. E embora defenda o agrupamento de municípios para a prossecução de objectivos comuns, considera que a Grande Área Metropolitana de Aveiro "é um nado-morto".

Por Rui Baptista

Numa sala despida da sua sede de campanha, virada para a principal artéria da cidade, Alberto Souto reclama obra feita. "Fiz muito com pouco dinheiro", responde aos que o acusam de falta de rigor financeiro. O autarca, que se diz determinado a "pôr a ciência na rua", põe a tónica na redução do passivo da autarquia e considera justas as taxas máximas aplicadas pelo município.

PÚBLICO - O seu programa de acção para os próximos quatro anos está, na opinião de um dos seus colaboradores mais próximos, cheio de "obras imateriais". Ou seja: pouco cimento, pouco investimento. Porquê?

ALBERTO SOUTO - Aveiro encerrou o ciclo das grandes construções e do betão. Temos saneamento básico que praticamente cobre toda a população, um sistema viário num estado muito razoável e os grandes equipamentos foram também construídos. Neste mandato temos que apostar na construção do novo parque escolar, as escolas do século XXI. E faltam-nos algumas vias estruturantes, como seja a ligação Aveiro-Águeda e a duplicação do acesso sul à auto-estrada. A proporção entre grandes obras e a aposta em projectos "imateriais" vai inverter-se. Estamos a entrar numa fase em que vale a pena apostar na qualificação das pessoas.

Há uma nova filosofia na sua gestão autárquica?

Há uma adaptação das nossas perspectivas aos novos tempos. Não há dúvida que Aveiro é um cluster de novas tecnologias e dispõe de uma singularidade ambiental que deve ser valorizada em termos turísticos e outros.

A aposta é na qualidade de vida, como disse na apresentação do seu programa eleitoral?

Sim, acentuando uma tendência que vem de trás. Estamos em condições de passar para o patamar superior, sobretudo na cultura e na educação. As comunidades constroem-se com a satisfação das necessidades mais elementares, mas também com a satisfação das necessidades mais espirituais, mais imateriais. E nós estamos numa fase em que me parece importante elevarmos as nossas necessidades em termos culturais.

Mas faz sentido gastar dinheiro com uma estátua holográfica nas Pontes, como defende a sua candidatura, quando as pessoas do bairro degradado da ilha do Canastro continuam a viver em condições indignas, por exemplo?

É evidente que a ilha do Canastro já devia ter sido suprimida e é absolutamente prioritária. Mas nós temos um conjunto de necessidades intelectuais que não desaparecem pelo facto de haver alguma miséria ainda. E na ilha não há bem miséria, há mais degradação. Nós temos capacidade para resolver as duas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, na requalificação do espaço público, em vez de estarmos a recuperar o repuxo e a estátua da personalidade da terra, preferimos apostar num programa de decoração e estatuária associadas à ciência e à investigação, que ponha a ciência na rua. Vamos ter um conjunto de ícones, de experiência da ciência aplicada a intervir na cidade, e a fazer desses ícones uma marca distintiva da cidade.

É função da autarquia financiar a ligação dos cidadãos à Internet, ou oferecer computadores aos professores, como promete a sua candidatura?

Em Aveiro temos que ter a ambição de que nenhum estudante, de qualquer nível de ensino, pode ficar privado de um instrumento hoje em dia fundamental, que é ter um computador em casa e ter acesso à Internet. Não sei se é caro, sei que tem um custo, mas o custo de não os ter é muito maior e paga-se muito mais caro depois. Investir na educação, de forma a facultar, de forma generalizada, o acesso a esses meios das novas tecnologias parece-nos um excelente investimento.

O seu projecto de fazer da ria de Aveiro património mundial tem viabilidade?

Vamos ver o caderno de encargos da UNESCO, mas penso que passa pela despoluição total da ria.Mas fez a promessa antes de conhecer o caderno de encargos?Fiz. Estas coisas têm encargos diferentes, até porque estamos a falar de património natural. Vai ser exigido um conjunto de parâmetros para que essa classificação possa ser obtida. Mas, sobretudo, esse é um objectivo mobilizador que pode congregar os esforços de todas as entidades que interferem na ria, como câmaras municipais, administração do Porto de Aveiro, Ministério da Agricultura e Pescas, Capitania do Porto de Aveiro, empresários, etc. O que interessa é que este legado natural possa ser preservado e protegido. Isto é um teste também à nossa capacidade de construirmos algo em conjunto e esta é a altura de passarmos da retórica aos actos e acreditarmos que a cooperação intermunicípios pode dar frutos concretos. Em Aveiro tem dado frutos nos sistemas intermunicipais, como a Simria ou Associação de Municípios do Carvoeiro.

É nesse contexto que surge o desafio que lançou ao presidente da Câmara de Ílhavo, para que os dois municípios preparem em conjunto os próximos orçamentos e planos de actividades?

Essa proposta não é apenas uma picardia de campanha. Eu acredito que era um exemplo que dávamos ao país, estaríamos a ser inovadores em termos cívicos. Dada a contiguidade dos territórios e a total confluência da vida das pessoas de Ílhavo e Aveiro, era urgente que pudéssemos preparar os documentos de forma concertada, numa perspectiva de optimização dos recursos escassos, até para não estarmos a repetir investimentos ou equipamentos que podem existir num município ou no outro.

Está a defender um agrupamento de municípios semelhante ao que foi defendido pelo anterior Governo?

Eu sou favorável aos agrupamentos de municípios. O quadro jurídico que estava estabelecido era um de grande fragilidade, porque criaram-se expectativas, mas ficou tudo dependente da vontade política do Governo em transferir meios e competências. O engenheiro Ribau Esteves tem-me criticado por eu faltar às reuniões da área metropolitana, mas neste momento a área metropolitana é um nado-morto. O engenheiro Ribau está a presidir a um cadáver adiado que não tem perspectivas de ressuscitar.

quinta-feira, setembro 01, 2005

A entrevista no Diário de Aveiro

Entrevista com Alberto Souto, candidato do PS à Câmara Municipal de Aveiro:

«Quero eleger seis vereadores»

O candidato socialista à Câmara Municipal de Aveiro, Alberto Souto, eleva a fasquia para as eleições de Outubro e pede ao eleitorado que lhe ofereça o sexto vereador. Por outro lado, se perder, pode não assumir lugar de vereador no executivo

Qual é a ideia que está na génese da sua (re)candidatura à presidência da Câmara Municipal de Aveiro?

O que está na base da nossa candidatura é o facto de sentirmos muito orgulho na obra feita. O bom trabalho que fizemos entusiasma-nos para continuar porque ainda há projectos novos e outros já conhecidos mas que ainda não tivemos oportunidade de concretizar. Creio que nestes últimos sete anos, quem mora em Aveiro notou diferenças sensíveis para melhor e isso confere-nos alguma confiança de que poderemos continuar a contar com o apoio das pessoas para um novo mandato que concluirá um ciclo de desenvolvimento, progresso, qualidade de vida e bem-estar que temos vindo a propiciar a todos os aveirenses. Aveiro é, neste momento, um dos melhores municípios para viver em Portugal.

Em 2001 – data das últimas eleições autárquicas – prometeu sete parques de estacionamento e sete avenidas. Porque razão não foram concretizadas?

Não vale a pena sermos pouco sérios em campanha eleitoral. Não vou aqui alijar responsabilidades, mas todos sabemos que há projectos que não se conseguem concretizar por uma razão ou por outra. Ou porque não foi possível adquirir os terrenos ou porque apareceram complicações institucionais ou porque deviam ser desenvolvidos por outras entidades, como é o caso de algumas das rotundas que estavam no programa. Num mandato há sempre coisas que não se fizeram em relação ao que estava previsto, e coisas que se fizeram que não estavam previstas. Portanto, umas compensam as outras. O que é importante reter é que o saldo é muito bom. Temos uma obra feita excelentíssima. Eu diria mais: Nunca num só mandato se fez tanta obra.

Então não vale a pena fazer promessas?

Não é isso. Uma coisa é fazer promessas e outra é vender banha da cobra. Quando nós dizemos que gostavamos de fazer um projecto e o colocamos no nosso programa, vamos fazer tudo para o concretizar e não estamos aqui para enganar ninguém. Agora se o Governo nos “tira o tapete” ou se surgem alterações profundas e se não é possível concretizá-los, não vamos desistir por isso. Temos que lutar por eles. É o caso da pista de remo. Trata-se de um projecto que ainda não está pronto, é difícil e sensível mas não é por isso que o vamos deixar cair. É mais um caso em que a conjuntura económica não ajudou a concretizar.

Élio Maia, candidato pela coligação PSD/PP, promete que se for eleito presidente da Câmara Municipal de Aveiro vai baixar os impostos municipais e gerir a autarquia ao cêntimo. Que comentário faz a estas promessas?

Tenho sempre muitas reservas quando aparecem promessas de baixar impostos em períodos eleitorais. Cheira-me sempre a demagogia e a alguma irresponsabilidade. Toda a gente sabe que as autarquias portuguesas não têm receitas e, portanto, dizer agora que vão baixar os impostos numa altura em que a capacidade das autarquias em baixar impostos é muito limitada... Essa afirmação só pode ter partido de alguém que não tem ambições para Aveiro. Porque não se fazem projectos estratégicos ou pequenas intervenções sem ter receitas e numa altura em que as autarquias não as têm, fazê-las baixar ainda mais é reconhecer que não se tem vontade nem a capacidade de passar dos cêntimos na realização de projectos e não me parece ser esse o caminho. Quem quer ter qualidade de vida, tem que ter meios para isso e essa é uma abordagem demagógica da questão. Outra coisa diferente é verificarmos se a aplicação do Imposto Municipal sobre Imóveis não está a conduzir a situações excessivas. Mas convém recordar que quem aprovou essa lei foi o Governo do PSD e não foi a Câmara Municipal de Aveiro. Aliás, o engenheiro Ribau Esteves já sublinhou isso mesmo, afirmando que não é dele a responsabilidade do que está a acontecer em Ílhavo.

Também a candidata da coligação PSD/PP à Assembleia Municipal, Regina Bastos, destacou, em entrevista ao Diário de Aveiro, que a Câmara Municipal de Aveiro, com os recursos financeiros que teve ao seu dispor, tinha a obrigação de fazer mais...

Eu tenho a maior simpatia por Regina Bastos, mas ela não fez mais do que papaguear uma afirmação de Élio Maia e não a podemos levar a mal por isso. Ela conhece mal a obra que se fez em Aveiro, ou não conhece mesmo nada, pois se assim não fosse não dizia uma coisa dessas. É uma afirmação caricata e que descredibiliza o candidato Élio Maia, dizer-se que se fez pouca obra em Aveiro. Eu desejo que Regina Bastos, que é bem vinda a Aveiro e por quem nutro simpatia e desejo felicidades, depois de conhecer as nossas freguesias e a obra que foi feita e os projectos que estão em curso, seja uma boa deputada parlamentar. Penso que pode ser uma excelente aquisição para aquela bancada do PSD.

O que pensa da candidatura da coligação PSD/PP? Há dias, conotou-a com um certo regresso ao passado e o mandatário da coligação «Juntos por Aveiro», Girão Pereira, acusou o toque...

Eu não queria dirigir o ataque a ninguém. Julgo que as pessoas reconhecem que há um conjunto de personalidades que tiveram de ser chamadas para fazer as listas em algumas freguesias, mas não quero entrar por aí. Se uma candidatura só consegue ir buscar nomes do passado e não mobiliza pessoas que representem o futuro é um problema deles. Eu também fui acusado de ter sido eu a escolher a minha lista e isso só pode explicar-se com o facto de não ter sido Élio Maia a escolher a lista dele. É do conhecimento público que a lista lhe foi imposta e com a qual ele não se sente muito confortável, mas o problema não é meu e não quero pronunciar-me.

A oposição critica-o a propósito das dívidas a fornecedores. Se for eleito presidente da autarquia nas eleições de 9 de Outubro, como pensa resolver esta questão?

Essa é a única crítica que eu tenho ouvido da oposição. A propósito disso, só faço uma pergunta: A situação financeira do país está boa? Não está. Como é que que se esperava que a situação da Câmara Municipal de Aveiro pudesse ser boa, sendo certo que todo o país está numa situação exangue e, apesar disso, desenvolveu investimentos fantásticos? Acho que essas são críticas de quem não tem espírito construtivo. De resto, a situação tem vindo a melhorar significativamente, concluíndo o Estado os encargos e os pagamentos que devem ser feitos e que obviamente causaram uma pressão muito grande. Concluindo esta etapa, gradualmente, mês a mês, a situação financeira da câmara de Aveiro tem vindo a melhorar e nisso temos sido muito rigorosos. E não recorremos a empréstimos como há dias vi noticiado, pois somos dos poucos municípios portugueses a quem o Governo ainda reconhece capacidade de endividamento e de recorrer ao crédito. Achamos que não devíamos fazê-lo, preferindo consolidar a situação financeira da autarquia e continuar a investir em projectos de futuro sem o hipotecar.

A Câmara Municipal de Aveiro deve ou não dinheiro à Empresa Águas de Portugal?

Não. A Câmara Municipal de Aveiro não deve um cêntimo às Águas de Portugal por força do abastecimento de água. O nosso contrato é com a Associação de Municípios do Carvoeiro e a câmara de Aveiro pode ter aparecido nas declarações de Pedro Serra a propósito da Simria, que nada tem a ver com abastecimento de água. Tem a ver com a despoluição da Ria e a esse respeito há negociações sérias e contrutivas com a Águas de Portugal que eu espero conduzam para a resolução do problema e mais uma vez venham dar razão às críticas que vínhamos a sustentar. Defendemos a revisão do estudo económico e das tarifas que se não fosse feita prejudicaria todos os municípios, Ílhavo incluído, e que implicaria um aumento de 300 por cento na tarifa, o que é um absurdo. Estamos muito optimistas a respeito desta questão.

Então, quer dizer que não há nenhuma crítica da oposição que tenha razão de ser?

Não, há uma que é contundente e tem a ver com os preços das fotocópias na Biblioteca. Realmente, acho que é um pensamento profundo de Élio Maia e tenho que lhe dar razão. Mas, infelizmente, é pena que ele ande desatento, porque, e como é público e ele sabe da Assembleia Municipal, de centenas de taxas há uma vintena delas que nos apercebemos que conduziam a resultados absurdos. É uma pena que ele ande tão desatento porque devia saber que essas taxas vão ser todas revistas. Mas estou de acordo porque é uma crítica certeira. Não tenho a pretensão de fazer sempre tudo bem.

E aquela crítica que o acusa de deixar para Outubro a inauguração de diversos empreendimentos para aproveitar a recta final antes da data das eleições?

Isso é um disparate. Eu queria chamar a atenção para o facto de em todos os meses termos tido uma obra a concluir-se. Por coincidência, há um mês em que há eleições. Eu pergunto aos aveirenses se devia deixar de concluir as obras só porque há eleições. Neste assunto temos que ser sérios. Temos tido todos os meses uma obra a concluir-se, repito. Só para lhe dar alguns exemplos, neste mandato concluímos a Capitania, o Teatro Aveirense, o Centro Cultural de Esgueira, a Junta de vera Cruz, o Parque de Feiras e Exposições, o Mercado do Peixe, o novo Estádio Municipal, o parque da Fonte Nova, o parque do Canal de S. Roque, entre muitas outras. Por isso é que eu digo que quando se vem dizer que fizemos pouco neste mandato, é uma afirmação que descredibiliza a postura séria que se tem que ter numa campanha eleitoral. Aquele inquérito que o candidato Élio Maia enviou às pessoas é um exercício de demagogia que não lhe fica bem. Devo dizer que tenho acompanhado, com alguma decepção, a campanha do candidato da coligação «Juntos por Aveiro».

Qual é o objectivo principal da sua candidatura nas eleições do próximo dia 9 de Outubro?

O nosso objectivo é meter seis vereadores. Acho que o trabalho que foi desenvolvido, a qualidade e a quantidade de trabalho que foi desenvolvida e as condições que sentimos no apoio das pessoas nos faz pensar que conseguiremos meter seis vereadores. Há aqui, no entanto, o fenómeno da candidatura do BE, mas eu penso que não tem sentido local, é uma candidatura cuja motivação é apenas nacional. Será o chamado voto inútil que não serve ninguém e que não tem significado. Acredito ainda que não vamos perder nenhuma junta e que podemos conquistar algumas. Penso que temos uma excelente equipa em S. Bernardo que pode ganhar, o mesmo sucedendo em Eixo e Requeixo. E digo isto com toda a humildade e com a consciência de que fizémos um bom trabalho, sabendo que há sempre 10 ou 20 por cento de coisas que não correm sempre bem.

É por causa do fenómeno BE e do candidato da CDU que a sua candidatura virou um pouco mais à esquerda do que o habitual?

Sinceramente, não sei se é uma lista mais direita ou mais à esquerda. É uma lista renovada, de gente empenhada e politicamente muito consistente.

Falava há pouco que há sempre coisas que não correm bem. Se fosse hoje, construía o Estádio?

Olhe, até nisso Élio Maia esteve infeliz. Porque se era contra o Estádio devia ter tido a coragem de, na altura, ter votado contra. Acontece que, na altura, não se lhe conhecia opinião e todos os partidos votaram por unanimidade. Ser agora contra o Estádio é fácil. Ninguém podia prever que o Beira-Mar ia descer de divisão, ninguém iria prever que a situação económica ia estar quatro anos em recessão, não havendo indícios que ela melhore, e mesmo assim, só os detractores e as pessoas com muita má vontade é que não vêem o óbvio: se Aveiro não tivesse construído o óbvio, essas mesmas pessoas estariam a dizer mal da câmara por não o ter feito e que implicaria ficar de fora do Euro 2004. Penso que foi uma grande vitória para Aveiro. Vale a pena aqui dizer que a Câmara Municipal de Aveiro ainda não colocou um Euro na gestão do Estádio. A EMA (Estádio Municipal de Aveiro, EM) tem sabido encontrar meios para subsistir, o que não está a acontecer noutras cidades.

Se perder, vai assumir o lugar na vereação? E se ganhar, leva o mandato até ao fim?

Eu vou às eleições para ganhar e nem coloco a hipótese de perder, mas se isso acontecer tomarei a decisão no dia seguinte. A experiência autárquica é muito absorvente e não me imagino a desempenhar outras funções autárquicas depois de ter sido presidente da Câmara. Como toda a gente sabe, nunca precisei da política para viver, não dependo da política e isso dá-me uma enorme independência de espírito e autonomia de decisão. Se a experiência autárquica terminar para mim, regresso à minha vida profissional com todo o gosto e sem angústias. Em política temos de estar sempre preparados para nos mantermos em funções enquanto merecermos a confiança do eleitorado e tenho isso presente todos os dias. Não tenho a presunção nem a arrogância de pensar que estas eleições estão ganhas. Quando digo que quero meter o sexto vereador é porque vou trabalhar para isso. Este objectivo pode permitir que o funcionamento dos serviços camarários melhore muito. Esse é outro objectivo a que me proponho apesar dos progressos enormes que foram feitos. As pessoas já não se recordam de como funcionava a câmara há sete anos. A diferença é como do dia para a noite. Temos um conjunto de funcionários excelente, muito empenhado e dedicado, que tem cada vez mais condições de trabalho e que o regime da função pública não permite valorizar como gostaríamos, mas que considero ser possível melhorar muito.

Cartazes colocados em Ílhavoregressam após as férias A colocação de um «outdoor» da sua candidatura na praia da Costa Nova, em Ílhavo, foi uma provocação ao seu homólogo local?

Não, não teve nenhum intuito provocatório, nem de falta de respeito às gentes de Ílhavo. Ribau Esteves já não se recordará, mas eu tenho muito gosto em lembrar que, há oito anos, eu fiz campanha nas praias da Barra e da Costa Nova sem problemas, mas agora interpretou-me mal. Portanto, eu quero explicar que a Lei Eleitoral não proíbe o que fiz e peço desculpa de ter tido essa imaginação, mas como os aveirenses e os meus eleitores estão nas praias da Costa Nova e da Barra durante os meses de Julho e Agosto, nós fomos ao encontro deles. Eu penso que Ribau Esteves perdeu uma boa oportunidade de colocar um cartaz seu na rotunda do Marnoto, porque muita gente de Ílhavo vive ou trabalha em Aveiro. Com naturalidade, digo que acabados os meses de praia e de férias, o cartaz vai regressar a Aveiro onde estão os aveirenses. Devo ainda acrescentar, a propósito desta questão, que fiquei surpreendido com a reacção dele.

Como estão afinal as relações com o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo?

Eu sempre tive boas relações pessoais com o Engenheiro Ribau Esteves e o fundamental é que se crie um clima de relacionamento institucional que permita concretizar os projectos intermunicipais que são decisivos para a região. Era bom que Ribau Esteves não privilegiasse a guerrilha partidária em deterimento daquilo que é o interesse comum da região. Há projectos fundamentais para todos que passam pela capacidade de humildade política que todos devemos ter. E eu tenho-a tido, tenho tido uma paciência enorme, fechando a olhos a muitas coisas, não ouvindo outras, desvalorizando as pequenas picardias e “trocas de galhardetes” e espero que no próximo mandato, sejam quais forem os presidentes que venham a ser eleitos, se possam entender, a bem de toda a região. É isso que as populações esperam de nós, uma cooperação acrescida entre Aveiro e Ílhavo e não compreendem que se ande a “trocar galhardetes”, às vezes colocando em causa o ritmo de concretização de alguns projectos.

A questão da Simria é exemplo de um certo tipo de relacionamento que não deve repetir-se?

O que aconteceu na Simria foi uma golpada partidária e o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) veio a dar-me razão. Foi pena termos que chegar ao STJ para reconhecer um erro e uma insensatez. Mas eu não posso forçar as pessoas a serem sensatas e razoáveis mas penso que tudo deve ter um limite. Pena que tenha sido o STJ a fazê-lo. Mas há mais exemplos. Estou a lembrar-me do traçado do caminho-de-ferro para o qual chamei a atenção há sete anos na perspectiva de que era necessário proceder-se ao Estudo de Impacto Ambiental. Na altura, ouvi tudo de todos, e ao fim de sete anos está-se agora a concluir o estudo, porque, entretanto, aperceberam-se que ele tinha que ser feito. Lamento muito todo o tempo que estas coisas levam, mas a vida faz-se com os parceiros políticos que temos e por vezes nem sempre estão à altura das circunstâncias e da dimensão estratégica dos projectos.

quarta-feira, agosto 31, 2005

A minha resposta ao questionário de Élio Maia

1- Pagar, na Biblioteca Municipal, por uma fotocópia normal, a quantia de 61 cêntimos (122$00) é compreensível.

O Élio Maia tem razão . As fotocópias são caras. Mas a Biblioteca não é uma casa de fotocópias. O Presidente da Câmara já tinha anunciado que essas taxas iriam ser revistas. O Élio Maia anda muito distraído...

2- Pagar 25 Euros por um requerimento ao Sr. Presidente da Câmara é um custo razoável.

O Élio Maia está a enganar os aveirenses: qualquer pessoa escreve uma carta ao Presidente da Câmara, ou envia um e-mail, gratuitamente ! Os requerimentos de 25 € são apenas alguns efectuados no quadro da gestão urbanística.

3- O aumento, de 150 para mais de 4.000 euros, a pagar por uma taxa de Licença de Construção é uma evolução razoável.

O Élio Maia está a tentar iludir as pessoas. Não acha normal que quem pode construir uma moradia de 440m2 de área de construção ou um empreiteiro que constrói um prédio em que vai ganhar milhões de Euros, pague uma taxa de 4 mil ?

4- O aumento de 150 para mais de 750 euros na aquisição de um terreno para uma sepultura é justo.

O Élio Maia até com a morte faz demagogia. Sabe quanto ganhava um coveiro há quinze anos, quando as sepulturas custavam 150 € ? E já agora, acha justos os preços praticados pelo Élio no cemitério de S. Bernardo?

5- Os transportes públicos respondem às necessidades dos munícipes.

O Élio Maia não diz nada de concreto. Sabia que em Portugal só seis cidades é que têm transportes públicos e que Aveiro é uma delas ?

6- O aumento nos valores da Tabela de Taxas e Licenças da Câmara é aceitável.

O Élio Maia não diz nada de concreto. Há centenas de taxas em vigor. Há apenas poucos casos em que elas têm de ser revistas.

7- Na factura do consumo de água pagam-se outras municipais. O aumento que houve nos últimos anos é razoável.

O Élio Maia brinca com coisas sérias: o custo da água aumentou em todo o país e a tendência é para que continue a aumentar. Pretender o contrário é ser irresponsável na gestão de um bem essencial.


8- Pagar cerca de 400 euros pela instalação de um ramal de saneamento a uma habitação é compreensível.

O Élio Maia brinca com as pessoas carenciadas. Só se paga o ramal de saneamento uma vez na vida: quando o saneamento chega ou quando se tem casa nova. Aveiro é um dos Municípios do País com maior rede de saneamento.

9- É importante para o munícipe que a Câmara Municipal seja principal accionista da Sociedade Anónima Desportiva Aveiro Basket.

O Élio Maia faz demagogia. O Aveiro Basquete tem como accionistas, além da Câmara, também o Galitos o Esgueira e o Beira-Mar. Sabia que a Câmara, só para o Clube de S. Bernardo, em cada ano, transfere muito mais dinheiro do que o custo que tem, por ano, com o Aveiro Basquete ?

10- O tempo de espera para uma audiência com o Sr. Presidente da Câmara é razoável.

O Élio Maia faz demagogia. O tempo de espera é razoável. A questão importante é a de saber se os aveirenses sentem ou não que o Presidente da Câmara resolve os seus problemas. Os aveirenses sabem que sim.

11- As dívidas da Câmara de Aveiro a cidadãos, instituições, associações e empresas são compreensíveis.

O Élio Maia está mal informado, não vê televisão e não sai da sua freguesia: com tanta obra feita, só não compreende quem não quer. Vale a pena perguntar: há alguém que diga, com seriedade, a situação financeira do país é boa ?

12- As estradas do Concelho estão em bom estado.

O Élio Maia devia conhecer melhor as outras freguesias: a Câmara recuperou neste mandato 100 kilómetros de estradas.

13- A qualidade das instalações do Pré-Escolar e do 1ºciclo do Ensino Básico respondem às necessidades da comunidade escolar.

O Élio Maia apoia o trabalho que a Câmara tem vindo a fazer e quer continuar a fazer, no sentido de melhorar o parque escolar.

14- O investimento da Câmara nos últimos sete anos, na habitação social, é visível.

O Élio esqueceu-se que o Governo do PSD/PP cortou o crédito para a construção de habitação social ? E que, mesmo assim, a Câmara foi construindo habitação social ?
E que, mesmo assim, a Câmara foi construindo habitação social?

15- O dispêndio de 60.000.000 de Euros (12 milhões de contos), na construção de um estádio de futebol, é um bom investimento da Câmara.

O Élio não resistiu à tentação de dizer mal do estádio, agora. Só é pena que não tivesse tido a coragem de dizer que era contra o estádio, antes, quando todos os partidos votaram a favor da construção.
Assim, parece mero oportunismo eleitoralista...

sexta-feira, julho 29, 2005

Declaração de candidatura

Aveirenses

Decidi recandidatar-me à Presidência da Câmara Municipal de Aveiro. Faço-o com muito orgulho pela obra que todos conseguimos concretizar e com muita vontade de ainda mais e melhor fazer.

Aveiro mudou muito nestes dois mandatos e é hoje, um dos Municípios portugueses com melhor qualidade de vida. Aveiro não pode parar. Nos próximos quatro anos queremos continuar a dar corpo aos nossos sonhos e queremos dar voz e acção, à nossa alma de aveirenses empreendedores.

O que fizemos aí está, como garantia do nosso desempenho. O que falta fazer é um desafio para todos ganharmos.

Vamos continuar a ser coerentes nos valores e na forma de estar na política.

Pugnando, sempre, pela defesa intransigente do interesse público e pela sua articulação com a legítima tutela dos interesses privados; pela independência, isenção, objectividade e equidade nos critérios da decisão política; pela partilha e participação nos processos de formação da vontade; pela eficiência e transparência nos procedimentos; pelo respeito e tolerância pelas opiniões contrárias e pela honestidade e estrita legalidade na gestão da coisa pública.

São valores de que nunca abdicámos e são princípios por que vamos continuar a pautar a nossa conduta. E, por isso, quando “olhamos para trás, não coramos e sentimos que podemos continuar a olhar para a frente e de frente para todos”.

E vamos ser ousados nos projectos de futuro e persistentes no alcance daqueles que o presente ainda não permitiu. Temos uma carteira de ideias novas que vão fazer com que Aveiro continue a pulsar uma nova urbanidade, mas não esquecemos, nem abandonamos, aquelas já anunciadas que a recessão atrasou e cuja importância e necessidade a realidade dos tempos ainda não desmentiu.

Soubemos superar as adversidades de circunstância e algumas maldadezinhas políticas escusadas, numa sociedade civicamente amadurecida e nadamos com sucesso contra as más marés. Portugal regrediu, Aveiro progrediu muito. Aveiro pode progredir ainda mais.

A meu lado tive o privilégio de contar com uma equipa de vereadores excepcionais, uma Assembleia Municipal muito participativa e Presidentes de Junta de Freguesia de todas as sensibilidades, que sempre souberam dar mais importância à defesa do bem da terra, do que às implicações do mero calculismo partidário.

E a meu lado tive aveirenses de todas os credos e opiniões, com ou sem opção política ou filiação partidária, que souberam apreciar o nosso desempenho, ser críticos e construtivos, entusiasmarem-se e vibrarem com os sucessos de Aveiro. Ajudaram-nos a fazer bem e a fazer diferente. Os nossos êxitos e realizações são de todos os aveirenses.

Olhem em volta. Aveiro seduz. Olhem em frente. O futuro de Aveiro interpela-vos.

(Não olhem para trás: descobrem os outros candidatos...)

Temos uma renovada ambição para Aveiro.
Queremos um Município com um desenvolvimento sustentado e equilibrado em que o território seja objecto de ordenamento e preservação, valorizando as diferenças entre as freguesias como factor de riqueza, promovendo a acessibilidade universal a bens, equipamentos e serviços, mas mantendo as características que são próprias de cada uma.

Queremos um Município em que a educação e a aprendizagem ao longo da vida sejam uma prioridade e que a nossa Universidade nos torne, cada vez mais, na terra, não apenas do saber, mas também do saber/fazer e sobretudo do saber/fazer/novo. Precisamos de uma nova rede de escolas para a educação do novo milénio e precisamos de optimizar a utilização dos edifícios públicos, para que todos os espaços possam servir uma comunidade em permanente assimilação dos novos saberes.

Queremos um Município que conclua a resolução dos seus problemas ambientais de primeira geração e que saiba incorporar as melhores práticas que a ciência evidencie em todas as vertentes da acção política, desde os transportes, ao urbanismo e arquitectura, da energia, aos resíduos, da indústria ao espaço público, da estrutura verde à laguna.

Queremos um Município em que a mobilidade seja fácil, confortável e adequada aos fluxos das pessoas. Em que a oferta de transportes públicos rodoviários, ferroviários e marítima, seja cada vez mais fiável, eficiente e atractiva. A intermodalidade, a intermunicipalidade e a gradual neutralidade ambiental serão prosseguidas. A mobilidade na Ria e nos canais urbanos será desenvolvida. O eléctrico de superfície é cada vez mais necessário. Os grandes eixos viários serão construídos. O estacionamento será ainda mais organizado.

Queremos continuar a construir um espaço público de excelência, que não seja apenas a terra de ninguém sobrante entre os edifícios, mas verdadeiro ponto de encontro entre todos e entre as pessoas e a nossa cultura, espaços de vivências, que primem pela qualidade, que surpreendam pela criatividade, que nos dignifiquem pela valorização do património natural e construído, que nos distingam para quem nos visita.

Queremos uma cultura que nos instrua, que nos divirta, que nos propicie novas descobertas e experiências, que nos qualifique como homens de sentido e nos tonifique os sentidos. Queremos mais públicos e públicos mais exigentes. Precisamos de mais agentes e de mais e melhor actividade. Vamos completar a rede de equipamentos culturais e prosseguir o apoio a quem faz e trazer os virtuosos que nos deslumbram. O coração de Aveiro é de cultura e pulsa com os vendavais do espírito.

Queremos uma comunidade coesa, acolhedora, integradora e solidária. Que saiba prover aos mais carenciados, inserir os emigrantes que nos buscam, criar redes sociais que não deixem ninguém nas margens da cidadania, seja qual for a etnia ou a condição, com habitação digna para todos, com consideração acrescida pelo acompanhamento dos nossos seniores, com serviços de saúde proficientes.

Queremos que o desporto tenha um papel cada vez maior na vida de todos. Nas diferentes modalidades e escalões. Quero garantir-vos que o Beira-Mar vai subir de divisão, mas, mais importante, que todos os clubes amadores vão continuar a subir patamares de qualidade na formação dos jovens. Concluímos equipamentos monumentais como o novo Estádio, mas ainda temos de completar a rede de polidesportivos e relvados – só conseguimos construir seis... - e construir a Pista de Remo, o Pavilhão Multiusos e o Campo de Golfe.

Queremos que as nossas empresas continuem a ser competitivas e geradoras de riqueza. Vamos atrair a Aveiro, pólo capital de toda uma região venturosa, empresas que marquem a diferença na cadeia de valor, que sejam inovadoras e apostem na investigação, ambientalmente modelares, que tirem partido dos recursos humanos qualificados que vamos formando e potenciem a afirmação de Aveiro como zona industrial da nova geração, comercialmente dinâmica, em que a modernidade das nóveis unidades convive com a recuperação dos mercados tradicionais e com um tecido empresarial diversificado.

Queremos uma administração autárquica e estatal eficiente. Percorremos um enorme caminho na reestruturação dos serviços e das instalações, na formação dos nossos profissionais e na modernização de equipamentos. Guardamos apenas o velhinho Mercedes....Só passaram sete anos e meio, mas estamos hoje a anos-luz do ponto de partida. Somos, porém, mais ambiciosos. Vamos certificar a qualidade dos nossos serviços autárquicos pelas normas internacionais. O serviço público em Aveiro tem de ambicionar prestar não apenas o que a lei obriga, mas o que uma comunidade qualificada exige.

Queremos um Município que saiba estar na região e no mundo, que reforce as políticas intermunicipais e os laços de cooperação com as idades irmãs, substanciados em acções concretas e ancorados nos objectivos das Nações Unidas para o Milénio.

Temos esta vontade e este querer. Que nos vai determinar nos projectos estruturantes e nas pequenas coisas. No dignificar das pessoas e na mobilização dos meios. No estabelecimento das metas e na defesa firme dos princípios. Para assim, como aveirenses, honrarmos o legado que recebemos e projectarmos o futuro que Aveiro merece. Com os ventos da terra e da ria a enfunar os espíritos. Com o alento que Vosso apoio nos transmite.

Venham daí connosco. Construir “Mais futuro, melhor Aveiro”


Alberto Souto de Miranda
Julho de 2005